Aldeias do Xisto em Portugal: o que são

Conheça as pitorescas Aldeias do Xisto em Portugal 

Charmosa Aldeia de Casal de São Simão Foto: aldeiasdoxisto.pt

Quando falamos de Portugal pensamos na vivacidade de Lisboa, na graça estudantil de Coimbra ou no charme histórico do Porto. Mas Portugal possui um tesouro ainda pouco explorado. Encravadas no coração do país, as Aldeias do Xisto são um conjunto de 27 vilarejos situados na região central do país, entre os distritos de Castelo Branco e Coimbra.

Paisagens montanhosas, construções históricas, gastronomia local, artesanato tradicional e povo acolhedor; eis algumas das qualidades que o turista encontra ao visitar a região. A sensação é de estar descobrindo um mundo ainda quase que intocado. Passear por suas ruelas é como visitar o passado de uma Portugal medieval. O que mais chama a atenção são os casebres de pedra, construídos nas encostas das montanhas, cortados por ruelas sinuosas.

Toda a região possui boa infraestrutura de turismo, com alojamentos, restaurantes familiares com comida típica e diversas opções para a prática de esportes radicais como trekking e escalada. Para quem ama a natureza, a região de Serra Lousã possui diversas praias fluviais famosas em todo o país.

Aldeinha de Sobral de São Miguel durante a noite Foto: https://aldeiasdoxisto.pt/

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História e preservação das Aldeias do Xisto

O nome das aldeias vem do mineral encontrado em abundância na região. O Xisto é utilizado na construção da maioria dos casebres, criando uma paisagem arquitetônica única, e também em diversas peças de artesanato local. A maioria das aldeias possuem casas de pedra rústica, outras vielas possuem paredes pintadas de cal branco, são as chamadas “aldeias brancas”.

Os primeiros habitantes da região remontam do período pré-histórico. Nas margens do rio Zêzere há vestígios de pinturas rupestres milenares. Ao longo do caminho, estradas, pontes e marcos relembram a ocupação romana. Mas apesar de toda sua riqueza cultural, as Aldeias do Xisto estiveram ameaçadas pelo esquecimento.

Para quem não conhece o país, Portugal desenvolveu-se ao longo do litoral e da costa sul, sendo o centro uma região ainda predominantemente rural e bem menos visitada. Desta forma, muitos desses vilarejos foram abandonados por seus moradores, que se mudavam para outras regiões em busca de melhores condições de vida. Em 2001 o projeto de preservação das Aldeias do Xisto foi criado para incentivar o turismo na região, garantindo fonte de renda aos moradores e preservando seus monumentos e sua natureza.

Ao contrário de outras regiões europeias onde o turismo vem sendo visto como uma prática predatória, cada visitante que conhece as Aldeias de Xisto colabora para que elas continuem vivas.

Alvaro é outra aldeia muito bem citada Foto: https://aldeiasdoxisto.pt/

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Como visitar

Vale lembrar que boa parte do território das Aldeias do Xisto não é atendido pelo serviço de trens de Portugal (o famoso Comboio). O ideal para conhecer as Aldeias do Xisto é alugar um carro. As estradas possuem boa sinalização e o tráfego na região é bastante tranquilo.

A porta de entrada mais usada para a região é a cidade de Coimbra, localizada a 208 Km de Lisboa. De lá, a primeira parada é a viela de Talasnal, encravada na Serra do Lousã. Fica a 45 Km de Coimbra em estrada de fácil acesso. Nesta região estão as vilas de Casal Novo, Cerdeira, Gondramaz, Chiqueiro, Candal, Algra Nova, Algra Velha, Pena e Comareira.

Na direção norte ficam Vila Cova de Alva, Aldeia das Dez, Sobral de São Miguel, Benfeita, Janeiro de Cima Barroca e Fajão. Na outra margem do rio Zêzere ficam Janeiro de Baixo, Álvaro, Martim Branco, Pedrógão Pequeno, Figueira e Sarzedas.

Essas são apenas as vilas principais, existem ainda dezenas de outras aldeias menores que você encontrará pelo caminho, portanto é fundamental conhecer a região sem pressa.

Moradora de Fiqueira, uma das 27 aldeias do xisto Foto: https://aldeiasdoxisto.pt/

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Culinária local

Se você acha que Portugal é somente bacalhau e pastel de Belém, prepare-se para conhecer sua gastronomia da região central. Rica em ingredientes locais, a culinária das Aldeias do Xisto surpreende os paladares mais exigentes. A típica caldeirada de cordeiro, o chamado cordeiro estonado, a chanfana (carne de cabra ao molho de vinho) e a famosa tigelada, um doce de ovos assado típico da região, fazem sucesso.

No pé da Serra da Estrela encontram-se os famosos queijos, ideais para acompanhar o vinho Dão, conhecido mundialmente por sua qualidade.

As 6 vilas mais belas da região

É difícil decidir, dentre tantas vilas, quais as mais bonitas. Mas tentei separar as principais aldeias que merecem uma visita:

Piódão

Você já deve ter visto alguma imagem desta vila por aí. Piódão é a mais fotogênica das Aldeias do Xisto , um dos principais cartões-postais de Portugal, com suas casinhas de pedra subindo a serra como num presépio. Fica a 95 Km de Coimbra, na estrada que dá acesso ao Parque Natural da Serra da Estrela. Esta foi durante décadas uma das aldeias de mais difícil acesso, tanto que até o século passado só se chegava ao local no lombo de burros. Esse isolamento proporcionou sua preservação e seu clima peculiar. A igreja matriz, datada do século XVIII, contrasta suas paredes caiadas com o casario de pedra ao redor.

Piódão umas das vilas mais lindas

Casal de São Simão

Localizada no meio da serra, possui casario restaurado e praias fluviais virgens. É uma das aldeias mais bem preservadas e também uma das menores, o turismo aqui é coisa recente. Feita basicamente de uma rua contínua, do alto de suas colinas avista-se as Fragas de São Simão e seu pequenino templo, um dos mais antigos da região. Seus habitantes vivem do artesanato e da produção rural.

Olha essa casinha que coisa mais linda – Aldeia Casal de São Simão Foto: aldeiasdoxisto.pt

Talasnal

Localizada no coração da Serra do Lousã, Taslanal é cercada por uma natureza preservada. A floresta ao redor possui animais como cervos, javalis e esquilos. A região é famosa em Portugal pela produção de azeite e diversas casas exibem os utensílios usados na fabricação, as famosas “largas de azeite”. Não deixe de provar os famosos “talasnicos”, doces feitos de mel e amêndoas que são outra marca da aldeia.

Aldeia de Talasnal Foto: aldeiasdoxisto.pt

Cerdeira

Circundada por um riacho, a aldeia conta com pouco mais de 100 habitantes. O local é usado por artistas da região em busca de inspiração e tranquilidade e já foi cenário de filme. Apesar de pequena, a vila conta com uma Casa de Artes, uma biblioteca, galeria e forno comunitário. O famoso Café da Videira é ponto de parada para os visitantes que precisam recarregar as energias.

Aldeia de Cerdeira Foto: aldeiasdoxisto.pt

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Aldeia das Dez

Feita sobre blocos de granito, essa aldeia difere-se das demais pela vista espetacular para a região do rio Alvoco. A igreja matriz é das mais bem-acabadas das redondezas. A Ponte das Três Entradas é outro destaque, ao lado da Casa da Voluta, imponente construção do século XVIII feita em pedra e com acabamento em ferro. A aldeia é conhecida pelas fontes, são quatro ao todo, todas com água potável. Afastando-se do centro do vilarejo ficam os vestígios da Calçada Romana, detalhe preservado dos tempos em que Portugal era parte do mundo romano.

Olha essa portinha, parece de filme! Foto: aldeiasdoxisto.pt

Mosteiro

O grande diferencial dessa aldeia é sua praia fluvial bem no centro da vila. Cercada por moinhos d’água, Mosteiro possui ruas estreitas e natureza presente para onde quer que se olhe. No que foi um antigo lagar de azeite hoje funciona um restaurante com vista para a bucólica praia fluvial. A região é ideal para o turismo de aventura, com a prática de esportes aquáticos como canoagem.

Aldeia de Mosteiro Foto: aldeiasdoxisto.pt

E você, já visitou as Aldeias do Xisto? Já conhecia esse cantinho escondido de Portugal? Deixe sua opinião nos comentários.

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Publicitária, paulista, pós graduada em Negócios e Empreendedorismo. Já fez intercâmbio para a Inglaterra, conhece mais de 30 países e 300 cidades em todo o mundo. É apaixonada por história da arte, música, dança e não dispensa jamais um bom café! No dia a dia aplica o que tem como lema: comunicar que o turismo, juntamente com a arte, tem o poder de transformar as pessoas e mudar o mundo.

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